quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

[...]

Devia ser lá pras 3h30 da manhã. Ouço conversas, risos, e de repente, algo encosta em meus lábios. Parecia um sonho, mas não. Abro os olhos e o vejo. Tentando acordar-me da maneira mais carinhosa possível, de nada adianta, levo um susto e, automaticamente, cubro meu rosto com minhas mãos, impedindo-o de ver-me naquele estado – sonolenta e horrível, porque, aliás, era madrugada, e eu estava realmente horrível – sentia-me péssima.
Então ele chega mais perto, o mais próximo possível de mim, e olhando para baixo – ainda no escuro conseguia enxergar sua silhueta em contraluz com a porta entreaberta – diz-me: “Eu vou para o Rio.” Subitamente, minhas mãos escorregaram pelo meu rosto: “Não acredito. Não pode ser, não pode. Essa é uma das primeiras vezes que nos encontramos, você não pode ir embora.” E então, deitou-se mais próximo de mim na cama, abraçando-me de um modo com que eu me sentisse mais confortável. Não resisti – encostei a cabeça em seu peito, e tentei: “Você não vai a lugar algum, não sem mim.” Senti seu sorriso, mesmo sem vê-lo. E ouvi um riso sem som, quase imperceptível. “Não se preocupe, eu volto logo.” Não. Não volta logo. Não vai ser assim – e soltei-me de seus braços, em sua tentativa de abraçar-me mais forte, e me virei para cima na cama, com um dos braços sobre os olhos, para que não me visse derramar uma lágrima sequer, e a outra mão entrelaçada entre seus dedos. Nenhuma palavra, nenhum som – apenas o de minha respiração ofegante apenas por aquela presença inédita. Diversos pensamentos. “Fique.” “Não posso.” “Por favor, por mim.” “Não dá.” Mas nada de palavras, nada de argumentos. E então puxou-me pelo braço, o mais próximo possível de ti, e aquela fora a melhor sensação que eu poderia sentir – e ainda sem palavra alguma. Permanecemos daquele jeito por um bom tempo – até que eu acordei. Olhei de um lado para o outro, nada. Esbocei um riso, pelo fato de não ter sido verdade o fato de ele ter de ir embora. Mas rapidamente entristeci – ele não estivera ali em momento algum.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

00h00

Há! É.. é hoje. 24 de dezembro de 2009, mais um ano acabando, e mais um Natal aí – o que traz: mais comida, mais refrigerante, mais gordura, mais comodismo, e mais falsidade. E claro, não nos esqueçamos dos presentes... Que é a segunda melhor parte depois dos refrigerantes – isso se você os ganhar, rere. Não nos esqueçamos também do tal espírito natalino, que hoje em dia, ninguém mais sabe o que isso significa. Muito menos eu, hm.
Fiz uma pequena enquete tosca sobre o Natal para algumas pessoas responderem... aí seguem as respostas.

“O que você acha do Natal?”

- Natal? Opa, pernil, comida, refrigerante, bebida, hmm *-*
- Natal? FAIL.
- Ah.. sabe como é, né. Aquelas pessoas todas reunidas, família, amigos, viagem. Eu até que gosto do Natal, hm.
- Natal = todo dia = falsidade [apenas um pouco mais aparente] = pessoas que se odeiam reunidas e desejando o mal por trás bem de todas elas = asco. [Estou com esse!]
- Nataaal? Presentes, comida, pessoas.. Atóron. *-*
- Um dia comum como todos os outros.
- Hm, eu acho que...
- Dia de juntar os parentes que mais se odeiam para trocar presentes e abraços indesejáveis. [com esse...]
- Acho que é mais um pretexto pra gastarem dinheiro em besteiras e tolices, porque espírito natalino, o que é isso? Não se ouve mais falar. [e com esse também!]

É.. Bom, não vamos generalizar, mas acho que hoje em dia, estão mais preocupados com o que vão ganhar ou não de natal, se terão o que comer ou não na ceia, do que com algum suposto divertimento, ou comemorar [para os religiosos], o verdadeiro significado do Natal.

Mas e você? O que acha do Natal?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Memórias Contraditórias

Eu pretendia ficar. Sim, pretendia. Apesar de todas aquelas palavras, minhas também, mas especialmente, as tuas. É, eu pretendia. Aliás, melhor que isso. Eu adoraria ficar, seria a melhor coisa que eu faria, pensava. Mas não. Suas últimas palavras, silenciosas, quietas, mais do que nunca. Diziam-me involuntariamente para ir embora. Pra sempre, talvez. Mas não o fiz por elas. O fiz pelas suas palavras não proferidas – aquelas que eu esperava, de fato, ouvir. Com um certo desdém escondido por trás de algum sorriso de canto de boca. “Fique, eu preciso de você aqui.” Ou apenas um “fique”. Mas não – nada. E o silêncio feriu-me mais que qualquer palavra dita, ainda que fosse um “vá embora, não te quero aqui por mais nenhum segundo”. Porque desse jeito, pelo menos, eu saberia exatamente o que queria. E nenhum fantasma ficaria assombrando meus pensamentos todas as noites seguintes, fazendo com que eu me perguntasse se era isso mesmo que querias. Que eu fosse embora, desaparecesse. Ou se esperavas que eu ficasse, por pelo menos algum segundo a mais. Ou alguns. Ou pra sempre, ao teu lado. Mas eu fui – e aqui estou. Relembrando-me de minhas frustradas tentativas de ser alguém, para alguém. Mas eu sempre acabava indo embora...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

(Sobre)viva.

Ela estava cansada de correr atrás do nada pra conseguir não se sabe o quê. Sobreviver! Impunham na cabeça dela. Sempre. Sobreviva, Allie. Vá, lute. Lutar contra o quê? Contra quem? Cansei-me dessa vida. Cansei. Você não se cansa? Indagava ela para o espelho como se o estivesse fazendo para alguém. Hein? Não se cansa? Incrível. Sinto-me tão frágil a essas palavras, que minha vontade ao ouvi-las é de sumir completamente. Sinto-me fraca também, ao ver que essa minha vontade é única e solitária, ainda que no meio de tantas.
- E então? Como andam as coisas na tua vida?
- Sabe que não sei explicar... Mas sinto-me controlada, e sufocada por essas míseras palavras que parecem não sair de minha cabeça.
- E o que pretendes fazer?
- Também não sei. Acho que vou viver um pouco.
- Quando voltar, avise-me.
- Adeus.

domingo, 20 de dezembro de 2009

A verdadeira realidade.

Você sabe como é? Trocar um romance por inspiração? Que sempre ao redigir algo, ou relatar sobre algum fato de minha vida, inserir alguma mísera palavra, ou frase, ou parágrafo sobre o tal romance? Certamente, não sei se isso é bom ou ruim. Relembrar-me sempre do passado, do não ocorrido, do sempre idealizado e nunca, de fato, realizado. É, não sei. A vida me mostrará com certeza ao longo dos anos, e eu aprenderei que, ou eu sonho de olhos abertos, e com os pés no chão, ou eu não sonho. Não, não se engane, isso não é frieza. Porque o que aprendi, até hoje, é que se deve sonhar, mas saber o limite, a linha tênue que divide o sonhar e o criar uma falsa realidade, iludir-se com algo que já tens certeza, ou quase, de que não dará certo, mas insistir e teimar com o impossível.
Sonhar, quem não sonha? Quem não gostaria de poder criar outra realidade, na qual se obtém tudo o que deseja, sem uma única imperfeição? Amor perfeito, casa dos sonhos, família idealizada... Mas me diga também, qual a graça de viver em um mundo criado por si próprio, onde não há defeitos, nem erros, e consequentemente, nenhum aprendizado?
Sabe, escrevo isso para ti, que um dia tanto fez-me sonhar, mas sonhar alto, muito alto, a uma distância bruta do chão, que aliás, foi o motivo pelo qual a dor da queda ser tão intensa. E não julgue essas palavras, e nem jogue-as fora. Guarde contigo como se fosse um punhal usado ao matar seu pior inimigo. E isso não tem a mínima relação possível com o que fizestes comigo, apesar de parecer. Você não me matou, e eu não sou sua pior inimiga. Nunca fui, e nunca serei. São apenas palavras expressadas por alguém cujo coração fora despedaçado por uma ideia falsa, concebida a mim mesma, por uma pessoa com o teu caráter. Caráter o qual não julgo, aliás, quem sou eu para fazê-lo, não é mesmo? Julgar alguém. Isso nunca entrou em meus objetivos principais, nem nas características mais irrelevantes, quanto mais as relevantes. Mesmo que estejamos falando sobre alguém como você. Você não vê onde eu me meti? Eu posso até te esquecer, mas agora, qualquer outro alguém vai ser comparado à figura que criei de nós dois. E é aí que mora o problema: por mais maravilhoso que seja, nunca será bom o suficiente. Será apenas mais um elo que criarei contigo indiretamente, mais um meio de ligar-me ao passado, mais um meio de iludir-me inconscientemente, ainda que eu saiba muito bem o que se passa por todo esse conflito, entre eu e minha mente.
Não sei ao certo quanto tempo isso vai durar, mas espero que não seja rápido demais, para não tornar-se uma mudança artificial e causar-me algum trauma; e nem muito demorada, para que não haja possibilidades de acabar com algum suposto tipo de relação que enfrentarei daqui pra frente. Quero que seja no tempo certo: quando eu estiver à beira de um ataque de nervos, em conflito absoluto com minha psique, tentando tornar, mais uma vez, essa vida um pouco mais agradável de se viver. Sem sonhos, sem ilusões, e sem decepções. Isso, e apenas isso.

- Inspirada em uns pequenos textos/trechos que li, não tão meigos por sinal, mas até que o meu foi bem otimista, em comparação aos outros, haha.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O sonho, os olhos e as palavras.

Hoje sonhei com você. E acordei junto de minhas lágrimas, espalhando-se pelo travesseiro.
Você dissera o que eu nunca esperava ouvir de ti, pelo menos não naquele momento, não com aquele desdém com o qual foi dito. Você parecia certo daquilo, e mais claro ainda, conseguiu ultrapassar o meu coração com apenas um gesto e uma frase. “Até o final do ano vai acontecer, você verá. Estou dizendo, acredite em mim.” E as palavras que eu estaria escrevendo pra ti no papel para entregar-lhe e substituir a falta que faria nos meus dias, foram perdendo-se nas suas, e acabaram por fugir completamente. De impulso, ao sair correndo dali, não pensei que correria atrás de mim, falando dos sonhos mais intensos e reais que tivera comigo, e os quais já me contara. Não imaginei que jogaria isso na minha cara. “Qual é, você nunca correu atrás.” Pensei. Mas apenas pensei. Impedia-me de dizer sequer uma palavra – que na realidade, era o que me faltava ali, naquele momento, ao olhar praqueles olhos tristes à minha frente. Ah... Aqueles olhos. Eram de uma cor que nenhum outro já fora antes. Que falta imensa eu sentiria deles. E de toda a mensagem que eles me passavam, sem dizer absolutamente nada. Apenas o olhar. E também não imaginava que, ao amassar o papel e jogá-lo ao chão com tamanha força, que era a qual eu gostaria de usar para dar-lhe um bom tapa, ou arrancar meus próprios cabelos, a dois minutos do ocorrido, ele voltaria para as minhas mãos com uma dúvida pendurada: “É verdade?” Sim. É verdade. Mas essas palavras decidiram não sair de minha boca – pareciam querer rasgá-la para fugir, mas ao mesmo tempo, preferiam continuar intactas. A única coisa que saiu, fora a lágrima que ele resolveu secar. Pra quê? Perguntei-me. Tiveram tantas outras. E você nem sequer ousou secá-las. Pelo contrário – apenas as observou antes mesmo de caírem, inibindo-as. Inibindo-me. E assim, impedia-me de chorar à sua frente. Mas o silêncio foi quebrado, mais uma vez. “Se eu pudesse...” Você podia. Poderia fazer o que quisesse agora, mas não. Prefere, mais uma vez, ficar apenas nas palavras, na ilusão de imaginar-me feliz ao teu lado. Mas feliz ao lado de palavras, eu já sou – e muito. Mas não é dessas palavras que eu quero a companhia. Era pra ser a tua. Mas não apenas enquanto as lágrimas caem pelo meu rosto, tentando dizer isso pra ti. Não. Era pra ser a qualquer hora, a qualquer momento. Mas você parece não ligar – sequer procura-me. E quando o faz, faz-me sentir a melhor pessoa do mundo apenas com seu abraço, e então, vai embora novamente, com algumas palavras bonitas, e aqueles olhos – os melhores de todo o mundo. Os que me perturbam na madrugada, mas aconchegam-me à luz do dia.
E hoje eu sonhei com você.
Mas foi apenas mais um sonho.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Voz do Silêncio

“Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala.”, como diria Martha Medeiros.
E parece gritar. Berrar. Mais do que qualquer voz em ação com força máxima.

Quantas vezes você já reparou nisso?
O silêncio após uma discussão – nenhuma palavra, nenhum perdão, nenhum beijo. Nada para aliviar aquela tensão, apenas o silêncio que parece não calar-se. Imutável.

É mil vezes preferível uma voz que nos diga algo, mesmo o que não queremos ouvir, pois isso ainda nos indica uma tentativa de entendimento, de compreensão. É algo mais explícito que o silêncio – o qual nos angustia com os fantasmas da dúvida, da incompreensão, da ilusão de criar tentativas para tentar entender-se, e ao outro. Mas apenas ilusão; nem sempre significa alguma tentativa. E ele permanece imutável; até que alguém o quebra com alguma palavra, que mesmo proferida serenamente, chega aos nossos ouvidos com uma aspereza imensa, que parece nos ferir intensamente, dispersando a nossa atenção dos devaneios que o tal silêncio nos impôs a pensar.

Mas mesmo assim, não são todos os silêncios que nos perturbam.

O silêncio de um momento a dois, quando não se necessitam palavras, apenas olhares.
O silêncio de uma noite serena, tranquila, depois de um dia de trabalho cansativo.
O silêncio ao deitar-se numa rede, encostar a cabeça e observar o céu, ou o pôr-do-sol.

Esse silêncio não nos perturba.
O único silêncio que perturba, é aquele que fala.

Aquele quando estamos nos sentindo sozinhos, e ninguém bate à nossa porta.
Quando não há emails na caixa de entrada, nem telefonemas.
Quando não há recados na porta da geladeira, na secretária eletrônica, e nem sms no celular.
Mas, mesmo assim, você entende a mensagem.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"Sentir-se amado"

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Tua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
[...]
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Happy endings?

Eu não consigo entender por que ainda existem pessoas que acreditam em contos de fadas. Digo, em finais felizes, vida perfeita, amor perfeito, essas coisas. Acho que não passa do fato de criar uma realidade falsa, um pretexto a mais pra viver, só pra esperar 'a alma gêmea' aparecer, e serem felizes para sempre. Não diria que isso é frieza, na verdade, sequer sei definir isso. Mas acho que o tempo, e o que passei, ou o que eu não passei, e o que eu vi passarem, bom, me fizeram olhar por esse lado. Talvez eu devesse estar "aberta" para outras opiniões, aliás, sou nova demais pra me fechar nessa hipótese de não existir tal coisa, porque aliás, tenho muito que aprender e viver ainda. Mas não sei... Observando atitudes alheias, vida de terceiros, e o século XXI, bom, minha opinião não está muito longe do que realmente se passa, não. É difícil encontrar hoje em dia casamentos que deram certo, casais que não se separaram, por qualquer futilidade que seja. Difícil encontrar hoje em dia amores sinceros, pessoas sinceras, sentimentos reais; e não aqueles que são ditos da boca pra fora, e a cada dois minutos, como se fosse um simples “bom dia”, ou um “olá, estou aqui, olhe para mim”. Bom, eu preferiria que me cutucassem a cada minuto só para chamar minha atenção para eu perceber a presença de tal pessoa ali, do que chegar a mim e dizer-me que me ama, a cada mísero minuto. Sei que tem gente que tem essa “necessidade”, mas é outra coisa que não entendo. Pra que ficar reforçando tanto? Se sabe que gosta, se sabe que ama, PRONTO, não precisa de mais nada, muito menos de ficar dizendo isso a todo o momento. Insegurança, talvez? Não sei. Poderia até ser, mas acho que não. Falo por mim, já que não tenho como falar pelos outros, porque tenho o meu grau de insegurança, e nem por isso saio por aí e digo, a quem eu amo, um “eu te amo” a cada minuto. Se eu o amo, com certeza ele já sabe, e consequentemente, não preciso dizer a todo instante. E caso ele ache que precise disso, que eu faça isso sempre... Sinto muito. Não o farei. Não sou assim, nunca fui. Nem serei. Agora caso ele duvide... Bom, aí o problema já não é comigo. Insegurança e carência, pra mim, têm significados completamente diferentes.

Mas voltando ao assunto, de fato, não existem contos de fadas. Podem existir bruxas, dragões, sapos, cavalos brancos, e príncipes. Mas a vida real te impede de enxergar isso; na verdade, ela te proíbe de enxergá-los. E ainda que não proibisse, você vai ficar esperando sentada, em pleno século XXI, choramingando pelos cantos, resmungando que seu príncipe encantado não chega, e que só encontra sapos pelo caminho? Ah, poupe-me. Vá curtir a vida, que quando o príncipe de fato chegar, vai bater direto na tua porta, sem que você fique procurando por ele.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Confesso que às vezes fico pensando... E se fosse diferente? E se nada disso tivesse acontecido? Se aconteceu, era pra acontecer. Ok. Mas e se não fosse pra acontecer? Sei lá, outros planos, outras pessoas, outras ideias, outros caminhos... É enlouquecedor pensar nisso dessa maneira, mas quando se encontra algum ponto para se comparar, nem é tão difícil assim. Por exemplo, e se você tivesse nascido na família do vizinho à sua esquerda? E tivesse que estudar numa escola que, hoje, você espera não ter de estudar nunca, ou agradece por nunca ter estudado lá? E se você tivesse outras chances? E se tivesse nascido há décadas atrás? Já parou pra imaginar como seria? Pois é... Confesso que às vezes fico pensando nisso, e não durmo n-n Às vezes por arrependimento de não ter feito algo, porém isso já virou rotina. Mas quem nunca o fez, não é mesmo? É.

E viva o comodismo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Saudades

"Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência..."

Clarice Lispector

sábado, 5 de dezembro de 2009

"Às vezes é preciso dar um tempo; correr pra longe de todo o mundo, pra ver quem é que vai correr atrás da gente."

Li isso em algum lugar, e realmente.. Acho que me adaptarei à essa questão. Porque, de fato, só assim é que realmente conhecemos as pessoas, e seus verdadeiros sentimentos. Pelo menos em relação à minha pessoa. É. E acho que já comecei.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

"Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele,
vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.
Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e sabe por quê?
Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.
... e é assim que se rouba um coração, fácil não?
Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você."

Luís Fernando Veríssimo

-

Luís F. Veríssimo tem me encantado muito ultimamente.
Seus textos, palavras.. têm surtido um efeito estranho sobre mim, mas eu gosto, e por essa (e apenas essa) razão, posto aqui.

ouvindo: 15 minutes - Strokes ♪

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho! Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono.
Essa pessoa talvez te magoe, e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo!
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo...
E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo!"
Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente..."

Luís Fernando Veríssimo
 

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