domingo, 19 de setembro de 2010

Passageiro

O vento sopra com raiva aqui desse lado da cidade. Ele passa por entre as árvores, escapa de si mesmo, e chega à minha janela. Grita seu nome como se eu pudesse entender sua língua, e me faz compreender que não é preciso entendê-lo - porque ele já me entende. E assim como eu me recosto nos trilhos da janela do meu quarto observando o nada, a lua, o céu, as nuvens, e pensando em mil e um motivos pra poder fugir de mim mesma, dormir e acordar dentro de algum outro eu menos turbulento, ele recosta-se sobre minha face, penetra em meus ouvidos e me entende. Me entende, mesmo que eu não explique nada. Mesmo que eu não justifique os meus pensamentos - porque ele, melhor do que ninguém, sabe como é ser passageiro. Sabe como é ser momentâneo - em um instante, em um dia, em uma vida. Ele sabe como é ser eu.
 

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