domingo, 31 de julho de 2011

Antíteses, metáforas e pontos finais

Estava declarado – um colapso nervoso, um deslize incalculado, uma chamada de emergência. Enquanto isso você apenas flutua no mar vermelho preenchido de culpa, medo e solidão. Angústia. Sujeira.

Um dia eles te dão o mundo. Mas você não sabe o que fazer com ele, então você o devolve – e eles chamam isso de ingratidão. Eu chamo de salvação.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Unreal

I’ve seen your eyes – the brightest I’ve ever seen, by the way. For a while, I thought I could suddenly drown inside of them if I kept staring at you, for the depth they seemed to have. I thought I would fall apart if I kept staring at you for just one more second – you were killing me slowly. Your bright and intense eyes were slightly showing me the worst part of life – love. I was falling in love with you and I couldn’t help it. But I didn’t even know you, although you said “hi”. I said a soft “hey” back. And then you left – your eyes and your voice remained by my side, though. They stayed in my mind and in my heart for the longest 10 seconds of my life – but then I had to leave too, and I left them at that backseat where we’ve met once and never more.

But sometimes I still can hear you. Sometimes I still can see your eyes, floating around me like a wasted memory with the urge to go away. Sometimes I just go back at that day and imagine how would it be if I had said those things I only thought of. Sometimes I think it was only a dream - and if it really was, who cares? -, but most of the times I just allow myself to hear you and feel those longest 10 seconds of my life again, whispering "hey" to the wind with the softness you left me.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ao mais ilustre e repugnante escritor do mundo – Parte II

Dou início ao nosso segundo contato com minhas desculpas, meu caro. Mas antes de qualquer coisa, gostaria de dizer-lhe que não tenho tempo suficiente para sentir pena de uma pessoa tão ignóbil quanto você. Entretanto, sinto que devo desculpar-me por meus mais sinceros sentimentos que não se encaixam dentro dos teus padrões grotescos de livrar-se do peso que carregamos durante uma vida inteira.

Mas dor, o que é a dor? Compartilho da mesma opinião que você, meu caro. Ela é boa. Tanto no sentimento quanto na experiência. E ao contrário de muitos – ouso dizer que até mesmo de ti –, não fujo dela, nem me martirizo por senti-la – confesso que por vezes sinto-me um tanto masoquista ao desejar infligi-la a mim mesmo. Entretanto, gostaria de saber o que lhe dá o direito de julgar-me com tanta convicção de que a dor é o que menos espero sentir – ou que ela me causa medo, repulsa, angústia. Que audácia de sua parte, não achas? Para um homem de tamanha astúcia e cordialidade – embora deseje passar o oposto para aqueles ao seu redor que não lhe conhecem, e até os que o conhecem –, intrometer-se na vida alheia e achar-se no direito de julgar o que gosto e o que sinto! Como podes? Acredito que você terá de trabalhar isso um dia, mas diferente de ti, eu não me importo. Espero que aprenda com isso e que vá para o inferno com todas essas aprendizagens, rapaz. E não se preocupe em sentir minha falta, pois ainda nos encontraremos por lá.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ininterrupto

A onda se foi. Aquela onda negra, densa e pesada que passava por cima de mim e me engolia com todas as forças já não existe mais. Não por fora. Ela ainda reside aqui dentro de mim. Me engole e cospe como se eu fosse algum tipo de brinquedo, apesar de permanecer dentro dela a maior parte do tempo. Quando escapo (o que é raro), sinto-me magnetizada de alguma forma, e quando menos espero, estou de volta para dentro dela.

As vozes – aquelas dentro da onda – permanecem gritando meu nome. Não é como se ela não existisse se eu não estivesse aqui. No ponto onde chegamos, é mais o contrário: como se eu fosse parar de existir. E então, eu apenas continuo afundando.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Psicose alternativa

Ando assustado. Tenho me perguntado quão claro deveria ser meus caminhos para que eu pudesse enxergar todos esses fantasmas e demônios que insistem em fazer-me de bobo e imaginá-los duplamente, como um verdadeiro inferno na própria terra, em minha cabeça.

Não consigo afastá-los, mas será que com a claridade eu ao menos os veria em suas verdadeiras formas e números, sem que minha imaginação e medo interfiram? Indigno-me, pois não há fantasma ou demônio algum. Olho para o espelho e avisto o papel de parede floral do corredor logo atrás de mim – não existo. Olho novamente e cá estou. Demônios, fantasmas, escuridão: eu voltei. E comigo voltaram vocês para me assombrar todas as noites, fazendo-me culpá-los por toda essa inquietação que não me permite cerrar os olhos e repousar tranquilamente. Mas não são vocês, sou eu. Eu sou vocês. Pertencemos uns aos outros porque somos origem e extinção, ao mesmo tempo.

Como acabar com o medo, então, quando se é a própria causa e condutor? Como acabar com a escuridão quando não se quer acender a luz?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ao mais ilustre e repugnante escritor do mundo – Parte I

Quem um dia pensaria que isto seria possível? Você, justamente você, meu caro, pensando em mim. É tanta honra que sinto-me pequeno! Sinto-me também lisonjeado ao imaginar tamanha estupidez de sua parte por dirigir todas essas tuas infames palavras indiretamente à minha pessoa , quando poderia vir até mim e dizê-las em alto e bom tom, dando-me abertura para poder me impor e defender-me, como deveria ter sido feito desde o início. Mas você jamais faria isso, não é? Prefere esconder-se por trás dessa máscara fútil com ar de frieza e superioridade e assim dizer o que tens vontade – mas é o que digo, sobram-te palavras e falta-lhe coragem para admitir o quão esnobe e desprezível tu és. Seja homem e encare-me. Dê um fim a essa tua máscara ignóbil já transparente, como dera a todas aquelas folhas de papel jogadas na lixeira de sua sala de estar ao tentar escrever sobre minha pessoa. Não seja tão baixo, porque sei que não és. Mas tu sempre preferiste assim, não? Fazer-se de coitado e inocente aos olhos do mundo, ainda que sem proferir uma única palavra, passando por desconhecido e tímido, frio, sensato. Não se esconda de mim. Mostre-me tua verdadeira face e assim permitirei que me julgues de tão baixo nível como andas fazendo.

 

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