quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Até quando?

Tenho a impressão de que tudo, hoje, foi mais rápido, ainda que lento, ainda que na mesma velocidade de sempre. Tenho a impressão de que esse mês inexistiu, assim como o restante do ano, assim como eu. Meus dias se vão, o tempo corre, e as noites são mais rápidas do que um piscar de olhos, e quando percebo, eu fiquei aqui. Inventando incertezas, pensando no nada, no tudo, no amanhã, no que deveria ter sido dito mas não foi, no rosto que deveria ter sido visto mas faltou ao meu olhar, todos os dias, a todo momento. E toda a saudade do que nunca me aconteceu, hoje parece inexistente, parece nula, vazia. Parece tanto um eu que eu teimava em esconder, mas que nunca deixou de existir. Tenho a impressão de que o tempo sugou minhas forças e o que ainda espero é alimentado pela minha falta de esperança; uma contradição lógica, e banal. Ainda assim, espero. Inexisto. E continuo sempre aqui. Até quando?

sábado, 26 de novembro de 2011

Dia comum

Hoje acordei e tive vontade de mudar. Mas mudar pra que, se ninguém se importa? Se eu não me importo. Se ninguém liga. Quem liga? Ninguém olha pelo buraco da fechadura do meu coração e tenta entender que a escuridão ali presente só significa a falta de um interruptor decente. Quem liga? Hoje eu acordei e tive vontade de te ver. Abri a janela do meu quarto e a luz invadiu meu rosto e me cegou por alguns segundos, e me fez pensar: quem liga? Eu ligo, mas não mudo, nem te vejo, só te escuto, dentro de mim. Hoje acordei e tive vontade de te ter por perto, mas analisando todo esse espaço presente entre dois corpos ambulantes percebo que a diferença está no sentimento e não no concreto. Hoje eu acordei e percebi que nada mudou, e nem vai mudar, que sou assim e assim vou ficar. Mas ninguém se importa. Hoje acordei e tive vontade de mudar, mas sentei na cama e observei a tinta da parede deteriorada pelo tempo e seus coadjuvantes, mas hoje é apenas mais um dia comum, flutuando entre meus pensamentos e tomando o tempo e espaço desnecessário que tomo toda vez que abro os olhos; mas ninguém se importa, e eu não ligo. Não mais.

Escrevo, leio, assisto, vejo. O resto é tudo uma amarga consequência do já feito. Irreversível.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Inocência

É como se todas as pessoas com as quais um dia me relacionei e foram embora, tivesse cada uma delas levado um pedaço de mim, dia após dia, adeus após adeus. Eu sentia falta de mim a cada vez que iam embora, mas eles não sentiam a minha presença. Deixaram para trás a minha silhueta, e conversa após conversa, levaram minhas palavras. Sobrou um nada de mim. E como se sente falta de nada? Não sente.

sábado, 12 de novembro de 2011

Somewhere

The clock’s ticking away all the moments that I don’t want to go through so slowly. I forgot to count the minutes on my notepad because I got so tired and bored that I just noticed the pen fell off of my fingers a few minutes ago. I’ve got no one to listen to these words except these empty lines and walls and this person in my head. It’s not me. It’s not you. It’s no one and everyone at the same time.

I forgot how it’s like to love. I forgot how it’s like to feel the wind blowing through your face and don’t ever bother with the way your hair looks. I forgot how it’s like hold hands with someone and don’t ever bother about that excruciating silence between two unique within worlds. And most of all, I forgot how it’s like to feel.

I want to curl up under my bed and be hidden forever, from the world, from myself, from the mirror, from all those words left unspoken, and from all those moments left behind watching the clock ticking away every single one of them. I want to be hidden and then wither away, for good. I want to forget about those silent moments when I worried about the two unique worlds which would never match each other.

I want to leave. Leave this skin, this body, this mind, this person inside my head. I want to get away from this world, this unbearable silence, all these people around who will never understand my reasons and lack of motivation, and lack of color, and lack of sense, and lack of me; because I’m always here but I’m always there, somewhere.

And somewhere is where I’m going to.

La routine

Hoje eu acordei e dei de cara com um novo eu: não vou me submeter a mais uma armadilha da minha própria mente, pensei. Sem truques, sem artifícios, sem dor. Voltei a dormir e então, pensei: hoje vou ter um bom sono. Tranquilo, como se deve ser. Sem pensamentos, sem especulações, sem teorias de um mundo, ou um eu, melhor. Acordei novamente e infelizmente percebi: o velho eu continuava ali, os pensamentos e especulações e teorias nunca me deixaram por sequer um minuto e notei que assim seria até o fim de meus dias. Sono tranquilo e acordar animado, descansado e renovado são etapas de uma rotina que nunca existiu em minha vida. E viver com truques, artifícios, e especialmente com dor, são etapas que deveriam existir em qualquer uma.

E por fim, depois de tanto pensar, adormeci.

Insuficiente

Está tudo tão confuso que eu não consigo encontrar palavras para descrever a minha situação. Está tudo tão confuso comigo e com você e com a gente sem o “nós” que a ausência dele me deixa ainda mais confusa. Está tudo tão monótono e vazio, escasso, superficial, que a confusão em que me encontro faz parecer que você é só uma miragem no meio do deserto mental, e assim, eu me entrego. De braços abertos, de peito aberto, de mente aberta, porque só assim você traria a luz aqui para dentro, mas trouxe escondida a escuridão, e nela estou. E nesse deserto, nessa confusão, e nessa situação, eu te peço, por favor: não se vá.

E você fica, mas pensa em não estar. Então acho que eu deveria te deixar ir; ou deveria apenas fazer de mim o bastante para te fazer ficar.

Mas a escuridão e a confusão tornaram-me cega, fraca e desgastante até para mim, quanto mais para uma miragem, para você, para qualquer um. Cansei-me de mim e você provavelmente se cansará também. Mas fique, por favor.

 

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