quarta-feira, 25 de abril de 2012

Frio

Atravessei todas as ruas sem olhar. Apertei um pouco mais forte contra minha pele a caneta e as chaves e tudo que encontrei em frente pra ver se sentia algo. Senti meu estômago se corroendo cada vez mais o dia inteiro, ouvi vozes, ou pensei que ouvi, senti calafrios constantemente e lágrimas escorriam sem querer. Via pessoas olhando para mim e as imaginava se perguntando "quem é esse ser que se esconde por trás de tantas roupas?" e então imaginei-me respondendo "escondo o vazio, impedindo que qualquer um de vocês entre". Olhei para o espelho e não senti nada, é como se eu estivesse esvaindo a cada respiração, a cada batimento cardíaco que doía tanto quanto minha mente, tanto quanto o vazio palpitante que me fazia escrever palavras e símbolos rudes em qualquer pedaço de papel a minha frente.
Eu tinha tudo e nada em mente. Vozes, vultos, morte, e perguntas. Perguntas que queria fazer para pessoas que não entenderiam meu ponto de vista, ou que entenderiam de forma errada, ou que não se importariam. Perguntas que atordoaram minha mente no caminho de volta pra casa, no caminho de ida para um lugar onde desejo não estar, que faziam minha mente escurecer cada vez mais a cada pensamento, por mais inútil que fosse, por mais idiota que parecesse, mas que ainda residiam em minha mente e assim se sucedeu pelo resto do dia.
Mais calafrios e lágrimas e sensação de fracasso tomam conta do meu dia. Olhar no espelho traz a repulsa, olhar para meu corpo traz aversão, olhar para minha mente me traz frio. Então pensei que talvez essa seja a verdadeira resposta para todos aqueles que se perguntam por que me escondo por trás de tantas roupas. Eu não me escondo. Eu tento aquecer o inverno que faz dentro de mim dia após dia, ano após ano. Sem parar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012


If I happen to have one, then with all my heart I sincerely hope I leave here today. I don’t belong here. I don’t belong anywhere but death.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Forever


                I began to wonder if this is whether a dream or an ephemeral reality which will fade away sooner than I think. What if it’s true? What if it will fade away soon? What if?
                Then I began to cry. I should try and allow myself to think and put up with things properly, but I just cried instead. Is this a reality or a dream? What is a dream? What is a reality? I couldn’t think straight and then I started to scratch a piece of paper right next to me with an anger that I couldn’t describe. Then I picked up a key – one of those new ones – , nice shaped and sharp, and started to scratch my left upper arm, drawing a thick red line which started a burning feeling all over my left arm, moving to my whole body – my brain was in fire. I was in fire. And when you came to me, you touched my damaged body and soul, first with your words, and then with your lips – and I started to freeze.
Then you dropped down my arms and my body and I couldn’t move for a second, I felt like dreaming. You left me with a thought I’m clinging on ever since: “darling, your fingerprints are etched in my skin forever.”
Just like each red, white, pinkish line, mark, scabs and inner injury: forever.
 

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