domingo, 24 de março de 2013

"Palavras enfiadas na garrafa e cuidadosamente jogada ao mar há dezenas de anos para chegar à sua ilha obscura onde a luz não bate e a decadência a define"



                Explicitamente, estou aqui pra lhe dizer: você não vale uma gota da tinta gasta no papel de todas aquelas cartas dirigidas à mim. Se, ao menos, você pudesse olhar-me nos olhos e dizer o que realmente tem a intenção de dizer por todos esses anos, eu poderia apreciar a magnitude de sua ação, mas jamais contemplar o seu ser.
                Você é como o ponto final dessa frase que escrevo; ou talvez ele seja grande demais para ser comparado à tua inferioridade humana.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Consequências



                Há algum tempo eu sussurrei para os céus que não queria mais acordar. Essas foram as palavras mais sinceras que saíram de meus lábios, assim como as lágrimas que escorregaram pelos meus olhos. E se eu realmente não acordar mais? Minha mente insiste em perturbar-me com as consequências de um fato que eu não presenciarei. Eu não deveria me importar. Eu não quero acordar, se lembra? E se eu não acordar, não terá mais porque eu me importar. As coisas se vão, pessoas se vão, lágrimas se vão, tesouros se vão, a brisa se vai,  assim como as ondas em um mar arrogante e agitado. Talvez elas voltem, as ondas, mas não serão as mesmas. O mesmo acontece com as pessoas. Elas se vão, e se voltarem, não será mais como antes. Nada será.

terça-feira, 12 de março de 2013

Target


                Let me look at you. Take my eyes and lay them over your body, let it sways, let it goes around you, let it knows you. I’ve already seen you on the outside, but you don’t allow me to, yet you say you wear no masks anymore. I’ve seen a pale face with two huge and sad eyes. I’ve read a twisted, confused, and beautiful mind. Your words always come to me like bullets blossoming into dark roses. They lay down over me and make me see that you always want they to hurt me, but you see, they don’t. They’re gentle, they come nasty to become kind, subtle in my ears, on my body. I’m sorry to disappoint you, but I see poetry like a man with a gun sees his target. When he shoots, that’s when I read the poetry. When he hits the target, that’s when your words come into me and make me decode you, read you out.
                So be careful with your words. Maybe you don’t want them to blossom into dark roses over me, maybe you want see blood. But the point is: nobody wants my blood to flow out dropping everywhere like me. Is it a nasty view for you? I don’t think so. But if you want it, you may choose the right words.
                Touch me deeply. Stab my limbs with your most wonderful words; there will be blood. A huge amount of crimson drops spilled everywhere.
                And I’ll enjoy the scene.

domingo, 10 de março de 2013

Detalhes



                Olha, aqui vamos nós de novo. Eu escrevendo pra ti, sobre ti, e tu vivendo sua vida sem ao menos notar minha presença. Irônico, não? Não. É sobre pessoas assim que escrevo. Pessoas com olhares perdidos, pessoas de vidro, pessoas de pedra, pessoas doces, pessoas amargas, pessoas. Às vezes sai algo sobre mim, mas de tanto eu me espremer, o bagaço de mim já está esgotado. Mas as pessoas, elas são interessantes, algumas delas, se olhar mais de perto. Aquela que pega o mesmo ônibus que você, sempre com ar de apressada, e reclamando que o ônibus não chega. Ou aquele que pega um livro e simplesmente começa a ler, como se nada pudesse atingi-lo enquanto delicia-se em sua leitura. E aquela garota com um olhar vazio na frente do bar, olhando para o nada, observando o tudo, e sempre quieta, de aparência tranquila? Ela poderia ser uma assassina. É o que os livros dizem, pelo menos. Mas voltando ao assunto, você já parou para notar esses pequenos detalhes?
                Outro dia estava eu, novamente no ônibus, e encontrei um garoto cujas mãos ocupadas carregava uma revista sobre um assunto que era de meu interesse. Detesto contato humano. Ainda mais quando desconheço o indivíduo. Mas ignorei todos os meus conceitos e preconceitos e perguntei se poderia ler a revista. Era de um assunto que me agradava, por que não? Ele me esticou um sorriso de orelha a orelha e ofereceu a revista tranquilamente. Não doeu. Não morri. Mas poderia, caso a menina do bar estivesse dentro do ônibus. Quem sabe?
                Esses pequenos detalhes fazem a diferença. A gente passa a notar que não existe apenas nosso umbigo para limpar na vida. Eu, que não aguento contato humano, passo por cerca de milhares de pessoas por dia. Milhares de histórias, inclusive a minha. Será que alguém me olha com os olhos que eu os vejo? Essa é uma dúvida que sempre carregarei.

terça-feira, 5 de março de 2013

Fuga

                Tem mais de você em mim do que em você mesmo.
                E isso transborda pelo canto dos olhos, como uma fuga repentina, de mim mesma.
                Mas sempre paro no meio do caminho.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tragedy



            It's a tragedy, you there & I here,
             standing at my window
            waiting for you to,
            perhaps
             appear,
            somehow,
             from the trees
            and the cold breeze.
 

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