quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Memories

I've always had
a problem with
erasing something or
someone
from the past
i have a problem
and it's called
feeling deeply
so deep that
it goes to the bottom of
my soul
and carve myself
with words &
feelings
no matter if
it's good or not
I've carried this
burden since I was
a kid
and past two decades
i still feel the same
way
I did
twenty one
years ago
I feel sorry
for my heart &
mind
i know if i could
just erase
some things &
some people
the burden would
be a bit lighter
but i'd still
be who i am
so it wouldn't
change much
I beg to please
let me be someone
else
with a lighter burden &
not so much
memories
to carry
inside my heart.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O Intruso

        A madrugada era fria. Passava das duas da manhã, apesar de não ter noção disso - passara o dia inteiro a recolher cartas escondidas do fundo falso de uma gaveta, as guardara em uma caixa de sapato velha e pôs-se a escrever. Sem pensar direito nas palavras, pusera no papel todos os pensamentos que lhe pesavam a mente. Parecera, de início, que aquilo lhe traria um alívio imediato. Porém, agora, só parecia pesar-lhe ainda mais. Tinha a seu lado, na mesa, uma garrafa de água cheia até a metade, onde outrora, na mesma manhã, encontrava-se cheia por completo. Ela a tomara a grandes goles sem nem perceber que o fazia, e voltava a escrever. Poemas sem sentido, pelo menos à terceiros olhos, e mais uma vez, cartas, que nunca seriam entregues à seus destinatários. Isso lhe doía as têmporas quando pensava. Por que há eu de escrever cartas que jamais serão entregues? - e respondera a si mesma - Porque as pessoas a quem escrevo já estão mortas. Talvez apenas dentro de minha mente, mas isso já não faz diferença - e apesar de tristemente desejar-lhes a morte em terra, tentava negar a si mesma que jamais o faria em sã consciência. Não o poderia fazer. Como havia de desejar a morte àqueles que um dia, há muito, lhe colocara um sorriso no rosto? Não importava. No fundo, ainda desejava-lhes a morte, talvez por lhe terem feito desejar isso um dia. E quanto à isso, ela também recusava-se a aceitar.
        O céu já aparecia claro quando se deu conta. Levantara da cadeira para se deitar. Deixava-lhes um amontoado de cartas, bilhetes, e por fim, uma nota, a qual escrevera por último. Resgatara seus comprimidos para dormir de um pote jogado ao chão, junto à restos de velas derretidas na madeira e roupas há muito sem lavar, espalhadas pelo quarto. Pegara a garrafa e engolira os comprimidos com um só gole. Assinara agora a última nota que deixara em cima da escrivaninha, onde dizia: "Eu só procuro paz de espírito. Espero que hoje a encontre. Senão, que os deuses me ajudem, irei de encontro ao inferno que me espera, pois o que reside em minha mente já se encontra deveras cansado de minhas lamentações. Desejo-lhe paz, quem quer que seja que esteja lendo isso agora. Me desculpe pela bagunça. Adeus, Allie."
        Passaram-se cinco dias até notarem o cheiro putrefato que exalava de dentro do quarto. Jazia ali uma mulher aparentemente jovem demais para exibir os olhos que, agora, sem vida, fitavam o teto, com um pesar que doía a alma de quem os visse. Encontraram-na agarrada a uma folha de papel, não a nota que escrevera, mas uma carta que, aparentemente, era dirigida à ela. Talvez a única, em meio a tantas outras. E nela se encontravam as seguintes palavras: "Nunca perca a sua essência." Ninguém entenderia o significado. Como haveria de entender? Mas ela entendeu, principalmente as entrelinhas. "Bav" era a assinatura. Apelido carinhoso que um dia ela o colocara. "Bav, o Intruso", que transbordava palavras que quebravam o silêncio da noite, invadindo-a como ninguém jamais o fez, e ia embora com a mesma rapidez com que chegara. Ela o detestava por isso, mas entendera o recado. Agradeceu-lhe silenciosamente, e por fim, se fora. E levara contigo as palavras, tanto suas como dele, para um vazio eterno.

Os olhos e as palavras

        Allie se retorcia na cama, à procura de palavras. "O que será que existe ainda para que esses sonhos continuem?" - Nada, ela respondeu a si mesma. Tudo o que existia em sua mente a fazia perceber o quão errada ela parecia. Mas em que confiar? Nas palavras ou no que jazia dentro de seu coração?
        Ela voltava a fitar a parede em buscas de respostas. Uma lágrima pusera-se a cair em torno de seu rosto. Ela lembrava de tudo - daquele dia em que quase tombou na sala de aula em frente à todos os colegas de classe quando ele a puxara a cadeira, e como quase caiu quando correra escada abaixo a seu encontro para que lhe xingasse e tentasse manter sua pose brava, coisa que nunca conseguia fazer quando algo se relacionava à ele. Lembrara-se do dia fatídico naquele gramado, enquanto era observada por olhos curiosos enquanto se mantia agradável e tranquila ao seu lado, e então pusera-se de pé e lhe mordera o trapézio, marcando-lhe com os dentes, onde dali algumas horas se apresentaria uma mancha em forma de nebulosa, que duraria semanas, e parecia orgulhosa de tê-lo feito, principalmente quando a via mudando de cor, semanas depois, enquanto o abraçava, deitada na carteira logo atrás dele. Seu perfume era inconfundível. Anos depois, quando já não o encontrava mais, percebera isso quando alguém passara ao seu lado com o mesmo cheiro. "Eu ainda me lembro", notou. Lembrou-se do dia da sala do piano, quando encostara a cabeça em seu ombro e parecia haver apenas eles e a escuridão ao seu redor, pesando-lhe a alma, quando percebera que o que mais queria já lhe acontecia, ali, descansando ao seu lado. Outra lágrima pusera-se a rolar. Ela não sentia mais aquilo, mas alguma sombra do que um dia fora um sentimento pousava-lhe os pensamentos.
        Os sonhos, onde corria a seu encontro para um abraço ou até mesmo aquele em que ela era alvo de chacotas e apontada como alguém acusado de traição, lhe pesavam demais. Doía. Mas ela nada dizia, apenas sentia a angústia subir-lhe a garganta e a raiva tomar conta. Era mesmo raiva, ou nela encondia-se dor? Ela não sabia a resposta. E talvez, nem quisesse saber. Ela percebera que se soubesse, o peso lhe tiraria as forças. Fechou os olhos e se pôs a lembrar as palavras, afiadas como faca. "Queria poder esquecer-me tão facilmente das coisas como o faz." Mas, até hoje, nada esquecera. Anos se passavam, pessoas os moldaram como diferentes seres, embora ele nunca pareceu mudar. Já ela, pensava ser outra pessoa. Outros vínculos, outras memórias, outro destino. Ele, a criança que sempre fora. Também com outro destino, mas a criança nunca mudara. Incoerente, de fácil sorrisos, e confusa. Por vezes, até aparecia-lhe um resquício de rapaz sonhador, com palavras rudes e de caráter duvidoso, convidando-a para uma noite a sós. Mas a criança permanecia, firme e insistente. Ela temia que assim o fosse pro resto da vida. Pobre rapaz, pensava. Pobre rapaz que permanece nas memórias.
        E assim adormeceu, ela e a criança que lhe fazia saltar o peito. As lágrimas se foram assim como apareceram. Sem notar. Mas a dor ainda gritava, embora ela fingisse não ouvir. Caso contrário, como adormeceria? Como o teria feito em tanto tempo? A dúvida lhe fizera criança novamente. A mulher que sonhava parecia distante agora, embalada no sono. Mas as palavras permaneciam acordadas. "Queria poder esquecer-me tão facilmente das coisas como o faz."
 

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