terça-feira, 28 de abril de 2015

The border line

I wish I was
something more than
what I dare to call
myself
because this body was
never hurt this much
because this mind was
never haunted this much
because those nightmares
once stopped when I 
woke up
but since when I can recall
they last longer than 
twenty four hours
and this is insane
am I this insane?
that doctor says I don't look that ill
the other says I should
go in the psych ward
the other says I'm in the control
while the other one says
the harm on my body means
I'm not the one in charge
any longer
am I insane yet?
I should call 911
but I'm afraid another doctor
will attempt to say what's 
going on 
inside myself
instead of asking me
what I'm feeling for real
or why these injuries are for
or why the empty stomach
keeps growling
won't you eat, my dear?
I say no
won't you take your meds, my dear?
I say why
won't you enjoy your life like a normal human being?
I ask why should I
since im in the border of sanity
way more on the side
of those ones
stuck between four walls
white bedsheets
and treated like kids
who forgot to take their medicines
at home
so now they need a special care
am I insane yet?
I wonder
but no one dares 
to answer.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Equilíbrio

        Me sinto vazia, fria e distante. E ao mesmo tempo eu sinto vontade de chorar, mas nenhuma lágrima cai. Tomo mais um comprimido, talvez dessa vez resolva, eu penso. E mais um, e mais um, e mais um. Talvez dessa vez resolva, eu penso novamente. Talvez resolva, mas não resolveu, e agora eles querem tirar de dentro de mim todos esses comprimidos tóxicos que me mantiveram desacordada por algumas horas, mas se eu pudesse, eu me recusaria, porque eu prefiro estar vagando pelo nada do que vagar pelas memorias de um passado escuro e pensamentos aterrorizantes. Mas eles não entendem, e nunca vão entender. E então eu volto a tomar um comprimido, me equilibrando na corda bamba da sanidade.
        "Talvez dessa vez resolva"Me sinto vazia, fria e distante. E ao mesmo tempo eu sinto vontade de chorar, mas nenhuma lagrima cai. Tomo mais um comprimido, talvez dessa vez resolva, eu penso. E mais um, e mais um, e mais um. Talvez dessa vez resolva, eu penso de novo. Talvez resolva, mas não resolveu, e agora eles querem tirar de dentro de mim todos esses comprimidos tóxicos que me mantiveram desacordada por algumas horas, mas se eu pudesse, eu me recusaria, porque eu prefiro estar vagando pelo nada do que vagar pelas memorias de um passado escuro e pensamentos aterrorizantes. Mas eles não entendem, e nunca vão entender. E então eu volto a tomar um comprimido, me equilibrando na corda bamba da sanidade.
        'Talvez resolva", pensei comigo.

domingo, 19 de abril de 2015

Águas passadas

        Hoje eu sonhei com você novamente. Não sei por qual motivo ou razão consciente, já que não tem feito parte das minhas lembranças diárias como fazia antigamente. Foi um sonho bizarro, como sempre é quando envolve você, e como sabes, gosto de registrá-los. Vou tentar contar-lhe alguns dos detalhes que me vierem a mente.
        Estávamos num sítio, minha família e eu, era meio isolado e bem antigo, aparentemente, e eu fui uma das primeiras a entrar lá e visitar os quartos enquanto os outros admiravam o tamanho da piscina no quintal, principalmente as crianças. Pois então, tudo ocorreu normalmente até o momento em que fui me trocar depois de um banho, e entrei num quarto, e te encontrei. Com o susto, veio um chiado alto, que mais parecia mesmo um chiado do que um grito, que me fez pensar que aquilo era uma miragem. Você estava sentado na cama com sua irmã pequena, a que nunca tive o prazer de conhecer, até esse dia. Só me recordo de sair correndo de volta ao banheiro, deparando-me com minha mãe no corredor, que disse que estava tudo bem, que você estivera ali já fazia alguns dias pois não quis ir embora com os pais, assim como sua irmã. Com o susto, entrei num outro quarto e soltei a toalha que estava presa ao redor de meu corpo com pressa para me vestir, sem reparar que nesse quarto havia mais dois homens estranhos ao meu ver, e foi quando corei de vez e me coloquei de volta no corredor, semi-nua. Minha mãe aparecera mais uma vez, com um sorriso de canto, dizendo que só tinha aqueles dois quartos e que era preferível que eu me vestisse no qual você se apossara, pois era maior e havia beliches. Entrei e vesti-me, sem soltar a toalha do corpo até estar completamente vestida. Seu olhar era tranquilo e respeitoso, então preferi acreditar que não me fitara asperamente enquanto estava ali no canto do quarto - não sei para você, mas essa situação de estar nua ou me despir de forma humilhante na frente de terceiros, em sonhos, é tão péssima quanto comum. - Voltando ao sonho, eu não me recordo de basicamente mais nada que acontecera até o momento em que todos foram para a piscina e eu fiquei deitada num sofá isolado na sala, ao lado do quarto onde você estava.
        Uma pessoa familiar chegara em mim, vestindo um sorriso malicioso nos lábios, e disse algo como: "estamos lá fora esperando vocês. Mas caso queira ficar aqui, ninguém vai incomoda-los também. Estão todos na piscina." Primeiramente eu não entendi o que me fora dito, porém logo ao sair, a pessoa fez um sinal em direção ao quarto ao lado do sofá onde eu estava. Então ficara claro: eles me deixaram ali a sós com ele para que conversássemos sem interrupções. Eu não cheguei a entrar no quarto, porém você saiu de lá duas vezes e apenas na segunda me notara no sofá. Eu estava com os olhos quase fechando quando você os fitou, e eu me perguntava o que diabos estava acontecendo ali. No final, você cochilara em uma das camas da beliche e me disseram que estava a espera de que todos os outros da casa nos deixassem a sós para resolvermos o que tínhamos de resolver. Infelizmente, isso não aconteceu. Todos voltaram da piscina e entraram em casa, fizeram o que tinham de fazer e escutei alguém dizendo que o que você esperava não dera certo, e no lugar de aproveitar o dia, acabara cochilando, assim como eu.
        O sol já se punha, e eu resolvi caminhar ao redor da piscina, molhando os pés de vez em quando. Minha mente estava confusa, como se me tivessem feito uma lavagem cerebral no dia anterior. Então você apareceu na porta, com a distancia de uma piscina entre nós, correu e se jogou ali dentro. O breve momento me tirou um sorriso, mas o levou embora tão rápido como o trouxe. "Entre aqui, a água está boa. Precisamos conversar." O ar de dúvida cresceu em minha mente, porém me pus a caminhar até a beira da piscina para ver em que é que essa conversa consistia, e sentei ali, na pedra gelada. "O que foi?" - lembro de ter perguntado. - "O que temos de conversar?" Depois de um mergulho, emergiu da água e olhou fixamente pra mim: "sobre o que nunca terminamos de conversar." Eu parecia meio tonta, dispersa demais pra uma conversa naquele instante. "E o que temos ainda para falar sobre se já existe um ponto final nisso tudo? Porque eu vejo claramente um ponto final. Você não vê?" indaguei-o de forma áspera. "Pra mim nunca houve um." E de repente, no sonho, o cenário pareceu desmoronar-se sobre nossas cabeças, trazendo um céu negro.
        Lembro-me de mãos molhadas me puxando para dentro d'água, deixando-me afogar por alguns aterrorizantes segundos, mas no instante seguinte, eu podia respirar, e era uma outra visão completamente diferente ali dentro. Mas na minha mente aparecia uma realidade diferente, como se eu ainda estivesse ali fora, e meu pai amaldiçoando e gritando para que você fosse embora e me deixasse em paz. Era como a realidade fora de um sonho, realmente. Era como ele o faria se te visse de verdade. Não me recordo do que houve após esse momento, devo ter acordado assustada por conta do breve afogamento, mas pouco antes de acordar de vez, parecia sonhar algo completamente diferente de antes, mas não era: estávamos vestidos de forma normal, andando na rua, e na pressa de um ou dois passos, trocamos olhares e tivemos um relance de uma memória passada, como se realmente nos conhecêssemos. Hesitei o terceiro passo, olhei para trás e vi que você acenava, com o olhar de mar aberto, perigoso e pulsante, e o sorriso envergonhado.
        Acordei, e levantei confusa e com uma angústia entalada na garganta como quem quer dizer algo a alguém mas não sabe se deve. Peguei papel e caneta e comecei a rabiscar algo, mas todos eles tiveram o mesmo destino: o lixo. Relembrei cartas, palavras, desejos e outros sonhos, e me perguntei se eles também não deveriam compartilhar o mesmo destino que os papeis. "Melhor não" - pensei - "essas ainda são algumas das coisas boas que devo aceitar guardar em minha memória".
        No fim do dia, tive vontade de lhe falar sobre tudo. Mas alguma coisa impediu-me: provavelmente o balde de água fria de realidade que jorrou em mim, assim como no sonho, enquanto eu mergulhava em memórias de águas passadas.

sábado, 11 de abril de 2015

The last show

             I woke up late at night with the feeling of emptiness taking over my mind. I realized it was more than that, after I sat down in bed and started staring at nowhere in the darkness contemplating the idea of death & no longer being able to be myself in a living point of view. Maybe for months, maybe for years, maybe forever. I sat there wondering how i could possibly fill up the void inside my mind that made me feel like I was already a wandering & lost soul, among the living ones and the deadly atmosphere I was in. When the obsession with death becomes a way of life you realize how much it costs to take a deep breath when you wake up lost inside your own head, knowing that there's no place to go but to follow the dark path the leads you to the depths of the everlasting hurting. And I wonder how will be the grand finale for this dreadful show where I feel I'm no longer the protagonist.
 

© 2009Dead Souls | by TNB